O estranho esquerdismo dos ditos espíritas



Estranho o suposto esquerdismo dos ditos espíritas.

Não se diz aqui dos espíritas autênticos, da linha francesa de Allan Kardec, e que se consideram, também, progressistas autênticos.

Se fala dos ditos espíritas que apoiam Chico Xavier e pregam o igrejismo conservador, mas se recusam a se assumir como realmente conservadores.

Eles precisam ter um verniz "progressista", para ficar bem na fita, para agradar os progressistas.

É uma atitude desonesta, pois os supostos espíritas, dessa corrente igrejeira e apologistas do sofrimento humano, tal como sempre foi Chico Xavier, são anti-progressistas convictos, mas que nunca o assumem no discurso.

Esses esquerdistas de fachada só são solidários na aparência.

No enunciado, dizem que Comunismo e Espiritismo se afinam pela defesa da solidariedade entre os povos.

Palmas entusiasmadas.

Depois, afirmam que o Comunismo autêntico só deve estar de acordo com os ensinamentos cristãos, ainda que fosse ateu.

Em que pese o fato de nem todos considerarem Jesus Cristo o mensageiro da humanidade, a declaração ainda é digna de aplausos.

Mas quando chegam as entrelinhas, surgem as restrições dos ditos espíritas ao Comunismo ou Socialismo.

Fazem reservas que só mesmo entendendo as sutilezas da linguagem podem identificar uma repulsa e não um respaldo.

Adotam um discurso ultraconservador, usando jargões do anti-esquerdismo, atribuindo a protestos das classes trabalhadoras como "desordem", "baderna" e "caos".

Além disso, os "espíritas de esquerda" acabam corroborando muitas pautas anti-esquerdistas.

No que se diz ao trabalho exaustivo, pedem para "segurar a barra" e não protestar.

Nas negociações trabalhistas, preferem o acordo informal entre patrões e empregados, nas quais o patronato sempre leva a melhor.

Sobre reduções salariais, defendem alegando que, "pelo menos, se tem o necessário para o pão e o sustento mais básico".

Em muitos casos, esses "espíritas de esquerda" acabam defendendo o peleguismo e, diante de certos incidentes, acabam indo ao lado dos opositores às esquerdas.

Como no caso da Operação Lava Jato, que contou com a defesa desses praticantes do Espiritismo brasileiro.

Foram exaltar Sérgio Moro, o então juiz paranaense, como "enviado dos benfeitores espirituais", quando ele mais tarde, como ministro de Jair Bolsonaro, foi reconhecido como defensor do rearmamento, que realizou uma reunião secreta com representantes da marca de revólveres Taurus.

A Lava Jato foi glorificada pelo Espiritismo brasileiro como "projeto da espiritualidade superior para combater o mau uso da coisa pública, a corrupção que tanto aflige nossos irmãos em Cristo".

O Espiritismo brasileiro dizia, hipócrita, sentir pena dos "irmãos" Lula e Dilma Rousseff, que "cometeram graves desvios" na sua "missão de promover a fraternidade e a redistribuição de riqueza em favor dos mais necessitados".

Esquecem que Lula e Dilma Rousseff foram condenados por supostos crimes inventados pela boataria de seus opositores, indignados em perder seus privilégios abusivos.

O Espiritismo brasileiro, por outro lado, não combate os lucros estratosféricos e a impunidade abusiva de nossos juízes e magistrados.

E, ultimamente, nem está aí para falar do projeto fascista de Jair Bolsonaro, três anos depois de se incomodar terrivelmente contra os supostos "desmandos" do PT.

O Espiritismo brasileiro ainda classificou as ridículas passeatas dos "coxinhas" e "manifestoches" como "início do projeto de regeneração da humanidade" ou "despertar político da juventude brasileira".

Ah, infeliz daquele que tem uma pessoa dessas como aliada, pois estaria sujeita a mil traições por parte desta.

Iludidos com o verniz de pobreza de Chico Xavier, os esquerdistas sonham em acolhê-lo em reuniões sindicais.

Quanta decepção viria. Chico Xavier seria fura-greves e pelego dos mais convictos.

Ele rejeitaria tudo: aumento salarial, greves, paralizações, protestos-relâmpagos, etc.

O "médium" aconselharia apenas a negociação informal com patrões e a aceitação de seus desígnios, mesmo quando as vantagens sempre pesassem no lado do patronato.

As esquerdas, ao menos, deveriam evitar o Espiritismo brasileiro igrejista e ligado a Chico Xavier.

Se querem ser espíritas, sigam o Espiritismo francês e só. Rejeitem Chico Xavier, que aliás defendeu a ditadura militar e foi anti-petista até o fim da vida.

Caso contrário, será sempre a confraternização da raposa com as galinhas, até a próxima refeição do animal canídeo.

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